Dólar fecha a R$ 4,96, no menor valor desde junho do ano passado; Bolsa cai

23 junho 2021


Pela primeira vez desde junho, o dólar fechou em queda de 1,13%, cotado a R$ 4,9661 nessa terça-feira (22), no menor nível desde 10 de junho de 2020, quando encerrou cotada a R$ 5,93. O dia foi marcado pela fala do presidente do Federal Reserve (FED, o banco central americano), Jerome Powell sobre o rumo da política monetária dos Estados Unidos. Apesar do desempenho da divisa americana e do bom resultado do mercado de Nova York, a Bolsa brasileira (B3) cedeu 0,38%, aos 128.767,45 pontos.

O resultado hoje veio de uma combinação de fatores internos e externos. Por aqui, a sinalização na ata do Copom de que o ritmo de elevação da Selic já poderia ter se intensificado na reunião da semana passada levou instituições – como o Itaú, o Bank of America e o ASA Investments – a aumentarem a aposta de juros mais altos pela frente no Brasil, o que torna o País mais atrativo para a entrada de capital externo. As expectativas vão de reajuste de 1% até de 1,25%.

“O Copom foi conservador na última reunião e precisará corrigir trajetória. Preços de commodities em alta, como o petróleo; extensão de auxílio emergencial, elevação de Bolsa Família, crise hídrica e bandeira vermelha 2 para os preços da energia elétrica, todos são fatores que resultam em mais pressão inflacionária”, acrescenta Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora, que espera aumento de 1 ponto porcentual para a Selic em agosto.

A analista de moedas do alemão Commerzbank, You-Na Park-Heger, ressalta que o real vêm sendo a moeda de emergente com melhor desempenho recente no mercado internacional, conseguindo se beneficiar da abordagem mais dura do Banco Central na elevação de juros – o que já pode ser visto hoje, com o recuo do real.

Após a divulgação do documento, o Bank of America elevou a projeção da Selic de 6,5% para 7,0% para o fim de 2021. O banco americano espera duas elevações da taxa em 1 ponto porcentual, em agosto e setembro.

Lá fora, o dólar intensificou o ritmo de queda ante moedas fortes e alguns emergentes já na parte da tarde, perto do final do pregão. Em discurso no Congresso americano, Powell disse que a recuperação da economia dos Estados Unidos “ainda tem um longo caminho pela frente.” Nesse cenário, ele comentou que “a crescente desigualdade de renda é um freio para a economia do país” e descartou uma alta “preventiva” dos juros, mas prometeu agir “se a inflação ficar muito elevada.”

A fala vem em sintonia com comentários também moderados feitos por autoridades do Fed, como John Williams (Nova York), Robert Kaplan (Dallas) e, principalmente, James Bullard (St. Louis), que havia acendido luz amarela na sexta-feira ao mencionar a proximidade do início de retirada de estímulos – na segunda-feira, Bullard voltou atrás.

O dólar para julho fechou em queda de 1,13%, a R$ 4,9610. Ainda hoje, o índice DXY, que mede a variação do dólar ante moedas fortes, como euro e libra, recuou 0,16%, aos 91,7 pontos.

Após um reforço importante de posições contra o real no mercado futuro da B3 na sexta-feira, dia de estresse no mercado internacional por causa de declarações do Fed, este movimento se reverteu parcialmente ontem e prosseguiu hoje, de acordo com operadores. Estrangeiros reduziram posições compradas (que ganham com a valorização do dólar) em 17.565 contratos ontem, ou US$ 879 milhões. Já os fundos aumentaram posições vendidas (que apostam na queda do dólar) em US$ 725 milhões.

 

Bolsa
Apesar da queda do dólar, e do bom desempenho do mercado de Nova York – com o Nasdaq batendo recorde de fechamento -, o Ibovespa não conseguiu se firmar no azul. “A combinação de hoje – dólar abaixo dos famigerados R$ 5 e Bolsa em queda – é incomum, mas acredito que se deva em grande parte, hoje, à ata do Copom, onde se fala de uma inflação mais persistente, o que faz com que a expectativa de juros também suba”, diz Flávio de Oliveira, head de renda variável da Zahl Investimentos.

Em outro desdobramento doméstico, que contribuiu para moderar o apetite por ações na B3, diretores e técnicos do Banco Central estão levantando cenários sobre o impacto que os problemas do setor elétrico terão sobre a inflação e a economia neste ano e em 2022. Além disso, não foi bem recebida a proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre taxar em 20% os lucros e dividendos. Em resposta, o setor bancário, que possui maior peso na composição do índice, cedeu.

“Desde a manhã, o Ibovespa brigou para se sustentar na casa dos 128 mil pontos, com o movimento comprador no setor de siderurgia e mineração, ensaiando recuperação após queda na semana passada, sendo insuficiente para levar o índice para cima”, diz Stefany Oliveira, analista da Toro Investimentos. Hoje, os papéis da Vale subiram 1,17%, enquanto CSN e Gerdau PN tiveram ganhos de 1,12% e 0,23%, respectivamente. Petrobrás ON e PN avançaram 0,1% e 0,52% cada.

Autor/Veículo: O Estado de S.Paulo

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