Após lucro recorde, Petrobras vai acelerar processos de privatização

12 agosto 2019


Após registrar lucro recorde, de R$ 18,86 bilhões no segundo trimestre, a Petrobras deve acelerar a marcha de seu ambicioso processo de privatizações. Refinarias, campos de petróleo menos promissores e negócios na área de transporte e distribuição de gás natural devem sair de cena ou exercer papel secundário na estratégia da petroleira.

Se tudo transcorrer de acordo com os planos do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, ao fim do processo a empresa terá um novo perfil, com uma atuação focada em seu ativo mais valioso: a exploração e produção de campos do pré-sal.

Em mensagem enviada aos investidores, o executivo é claro: “Com um programa de desinvestimentos desenhado, a prioridade daqui em diante será a estruturação e execução das transações”. E não faltam operações em curso.

No segundo trimestre, os números do balanço ganharam reforço extra com a venda de 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG), que opera 4,5 mil quilômetros de dutos nas regiões Norte e Nordeste, para um consórcio formado pela francesa Engie e pelo fundo canandense Caisse de Dépôt et Placement du Québec (CDPQ) por R$ 33,5 bilhões. Os recursos se somaram a um cenário benigno para as finanças da companhia em razão da alta do dólar e do barril de petróleo.

Expectativa: Governo quer leiloar nova fronteira do petróleo e ampliar reservas em 50%

Até o fim de julho, a companhia acumulou US$ 15 bilhões com a venda de ativos. No terceiro trimestre, ao menos uma injeção de ânimo já está garantida: a empresa prevê ganho de capital antes de impostos de R$ 14,2 bilhões com a privatização da BR.

A distribuidora de combustíveis, considerada por muito tempo como a joia da coroa da Petrobras, corre risco até mesmo de sair do portfólio da petroleira. Na mensagem ao mercado, a empresa informa que, no futuro, pode reduzir sua participação na BR, atualmente em 37,5%, ou se desfazer integralmente.

Essa espécie de rolo compressor de privatizações em marcha deve incluir a venda de oito refinarias. A proposta de venda de quatro delas já foi apresentada ao mercado. As informações sobre outras quatro delas devem ser divulgadas aos potenciais compradores no próximo mês.

A empresa também deve se desfazer de campos maduros, empreendimentos com alto custo para extração de petróleo e baixa produtividade. A lógica é que a companhia precisa concentrar esforços no pré-sal, que demanda investimentos vultosos e forte aposta em tecnologia. O que está no cardápio e já não enche os olhos da Petrobras pode se tornar ativo valioso para empresa de menor porte.

Se, de um lado, a companhia está se livrando de investimentos que se mostraram mal-sucedidos, como a refinaria de Pasadena, que se tornou símbolo da corrupção investigada na Lava-Jato, de outro, também está fazendo escolhas, que podem se mostrar vantajosas ou não no futuro.

Ao abrir mão da infraestrutura de transporte de gás, por exemplo, a empresa age em linha com os planos do governo, de fomentar a entrada de novos competidores e reduzir o preço do produto. Mas também começará a pagar a terceiros pelo uso das redes de gasodutos.

Junto com a mudança de foco vem também a redução de tamanho. De acordo com o comunicado, a empresa já conta com 1.560 adesões até o fim de julho a seu programa de desligamento voluntário.

Se a estratégia de venda de ativos caminha a passos largos, a produção de petróleo, porém, não segue no mesmo compasso. No segundo trimestre caiu 0,5%. Os investimentos foram revistos para baixo e devem somar de US$ 10 bilhões a US$ 11 bilhões este ano. Para que tudo saia como o previsto, resta agora acelerar o operacional da companhia.

Fonte: O Globo

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